domingo, 31 de março de 2019

Revolução ou Golpe?

Ricardo,
Sei que serei redundante no sentido de tantas vezes vir aqui e fazer a defesa da mesma coisa. Um dos parâmetros que uso para defender minhas convicções, é a definição das coisas.

Qual a definição histórica  de Golpe de Estado e qual a definição histórica  de Revolução?. Na Revolução, o povo, as massas ou a grande massa, está engajada no processo político de mudança.
No Golpe de Estado, são  as forças armadas, que ditam a mudança e a troca de poder.

Historicamente, quando dissecamos os processos de ruptura brasileiro, nunca vamos encontrar uma participação massiva da população.
Como exemplos temos  a:
Independência, a República, o Estado Novo e o próprio Golpe de Estado de 1964.
Mas por que foi Golpe de Estado de 1964 e não Revolução de 1964?.

Para fazermos essa dicotomia, é necessário tomarmos a DEMOCRACIA, como referência. Analisarmos qual foi o grau de ambiência democrática desse período?.

E os fatos dessa época, comprovam que foi um regime de exceção. Ninguém poderia discordar, ninguém podia reivindicar, ninguém podia associar-se. Caso houvesse um pensamento contraditório, por mais simples que fosse, recebia-se a marca de comunista ou subversivo e a partir daí, sua vida virava um caos.

Como todo regime, os militares, também fizeram uso da propaganda. Ao povo, era vendida a imagem do milagre econômico.

Com o dinheiro emprestado do exterior, iniciou-se grandes obras. Como a informação era manipulada, a cara que se desenhou para essa época foi a corrupção zero.

Mas o que dizer da Coroa Brastel?, do escândalo da mandioca?, das pedras preciosas de Abi Ackel, então Ministro  da Justiça? ou de Mário Henrique Simonsen, conhecido como o ministro dez por cento?.

E nos porões do Doi-Codi, sob a tutela de Ustra, Fleury e outros. Corpos de jovens sonhadores e idealistas eram torturados.
Mulheres eram estupradas, homens sofriam no pau de arara ou na cadeira do dragão.

Muitos foram mortos, expulsos, exilados, partiram num rabo de foguete.
Qual o crime deles? Acreditarem ser possível viver num país melhor, numa nação democrática, fraterna e solidária. Onde não houvesse tanta concentração de renda, parindo milhões de miseráveis.

Mas os homens dos quartéis, com suas fardas engomadas e seus coturnos engraxados. Não eram dados ao diálogo. E a conversa não era muito longa e mal passava de um:"Seu comunista de merda" ou "Sua vaca, comunista".

Eles não leram Cora Coralina, para compreender que:"O natural da juventude é crer".

Eu nasci em agosto de 1963, minha geração, é de transição. Quando fomos despertando pra vida, a cartilha que nos ensinavam, era que tínhamos que ficar rico, subir na vida, sermos alguém. E os pobres e miseráveis que estão entre nós, vieram de onde?.

São preguiçosos que não querem trabalhar e só pensam em fazer filhos.
Eu nunca consegui me adaptar ao sistema, sempre conflitei e conflito até hoje.
Aos dezenove anos, me converti ao cristianismo, encontrei paz, vivo melhor.
Sei que nada aqui importa. A não ser o amor, a bem querência, a família, os amigos, as auroras e os arrebois.

Mas eu não poderia deixar de externar meu respeito pelas centenas de jovens mortos, e os torturados desse período, que juntamente com a escravidão, é vergonhoso para o Brasil.
(Assis Barros - Bacharel em Teologia).

quinta-feira, 7 de março de 2019

Falando sobre Marx com meu amigo Benjamim

Nem a Grécia, era uma democracia. O Socialismo, é uma utopia, Karl Marx, tinha ciência disso. No final do prefácio de O Capital, ele deixa claro que não tem a menor pretensão de ser o senhor absoluto da verdade. 
 
Agora, deixa claro, que só aceitará crítica ao seu trabalho, vinda da comunidade acadêmica. Eu tinha uns vinte anos, quando tentei lê e não passei do prefácio, considerei-o arrogante de mais. Anos mais tarde, quando já estava na faculdade e tive a honra de conhecê-lo e ser seu colega de sala, Benjamin Junior, lembra daquela expressão?: "Estou no bar da véia." 
 
Foi que percebi claramente que Marx tinha razão, sobre as críticas nascerem na academia. O homem do senso comum, não tem a capacidade crítica, para refutar um pensamento científico. Mas, passados mais alguns anos, li completamente, Contribuição à Crítica da Economia Política, também de Marx e tão importante quanto O Capital, apesar de quase não divulgado e aí foi que quase pirei de vez. 
 
Pois nesse livro, Marx, acredita que chegará um momento na humanidade, que surgirá um grupo de homens, desprovidos da ganância pelo poder, e passarão a governar o mundo de maneira fraterna e não haverá mais a miséria. 
 
Pois vale lembrar que Marx, nasceu em 1818 e faleceu em 1883, estamos falando do século XIX, e da primeira onda da Revolução Industrial, as relações capital/trabalho, completamente diferente do que temos hoje. 
 
Os trabalhadores, tinham jornadas de trabalho exaustivas que passavam e muito, das atuais oito horas, com salários pífios. É nesse contexto histórico que nasceu e morreu Marx. Mas voltando ao meu questionamento ao senhor barbado: De onde teria vindo parar na mente dele, aquela ideia de homens desprovidos pela ganância de poder?. 
 
Veio então a Revolução Russa de outubro de 1917 e o que o mundo viu, foi a luta entre três homens pelo poder, com o mais perspicaz, saindo vitorioso, mesmo usando de atitudes desprezíveis. Mas novamente entro na faculdade para cursar Teologia, e a pergunta continua latejando esses anos todos na minha mente. 
 
E num trabalho de final de semestre, que era a leitura de um livro e depois uma resenha. Veio a minha resposta, minha alma se acalmou. Mas isso será assunto para um próximo post. 
 
Ah, não sou e nunca fui do PT, mas também não creio que o ex-presidente Lula,seja o único corrupto dessa nação. Forte abraço e saudades. Vamos nos encontrarmos qualquer dia desses para irmos a praia, comermos um peixe, caranguejo, tomarmos água de coco, cerveja(você) e no final da tarde ver o pôr do sol, tomando um café com tapioca.
(Assis Barros).